PT aprova a candidatura de Lula à Presidência da República

Após a oficialização, ontem (20), da candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República representando o PDT, hoje (21), foi a vez o PT oficializar a candidatura de Lula para concorrer à Presidência.

A aprovação do nome de Lula deu-se por unanimidade e o nome de Geraldo Alckmin (PSB) para concorrer como vice na chapa do ex-presidente também foi aprovado. Lula não participou da convenção por estar cumprindo agendas em Pernambuco.

Além da convenção do PT, hoje também foi realizada convenção da federação entre os partidos PT, PC do B e PV. A federação, da mesma forma, aprovou por unanimidade a chapa Lula-Alckmin. A partir de agora os dois são oficialmente os candidatos da federação.

A candidatura de Lula à Presidência representando uma federação partidária será a primeira após a criação desta modalidade de alianças entre legendas. Com a oficialização da candidatura, a expectativa é que Lula e Alckmin cumpram uma extensa agenda de viagens pelo Brasil, priorizando estados como Paraná, Bahia e estados do Sudeste.

Perfil

Luiz Inácio Lula da Silva nasceu em 27 de outubro de 1945 na cidade de Garanhuns (PE).Ainda na década de 1960 começou a ter contato com o movimento sindical. Em 1975 foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Em 1978, Lula foi reeleito presidente do sindicato e, após 10 anos sem greves operárias, ocorreram no país as primeiras paralisações. O momento sofreu forte repressão.

Em 1980, Lula fundou o PT juntamente a outros sindicalistas, políticos e representantes de movimentos sociais, como lideranças rurais e religiosas. Ainda no ano de 1980 eclodiu nova greve dos metalúrgicos, o que provocou a intervenção do Governo Federal no sindicato e a prisão de Lula e outros dirigentes sindicais.

Em 1983 Lula disputou o Governo de São Paulo. No mesmo ano, participou da fundação da CUT (Central Única dos Trabalhadores). Em 1984, participou, como uma das principais lideranças, da campanha das “diretas-já” para a Presidência da República. Em 1986, foi eleito o deputado federal mais votado do país, para a Assembleia Constituinte.

O PT lançou Lula para disputar a Presidência da República em 1989, após 29 anos sem eleição direta para o cargo. Perdeu a disputa para o ex-presidente Fernando Collor de Mello no segundo turno, por pequena diferença de votos.

Lula disputaria novamente a Presidência da República em 1994 e 1998, quando perdeu ainda no primeiro turno para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Na quarta tentativa de tentar se eleger presidente, em 2022, Lula sagrou-se vitorioso com quase 53 milhões de votos. Lula foi reeleito presidente 2006 e em 2010 apoiou a candidatura de sua ex-ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Em março de 2016, durante o segundo mandato de Dilma, Lula foi nomeado como seu ministro-chefe da Casa Civil. Porém, a indicação foi suspensa pelo STF. Em julho de 2017, Lula foi condenado em primeira instância no âmbito da Operação Lava Jato, pelo então juiz federal Sergio Moro, a nove anos e seis meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Com a confirmação em segunda instância da sentença, que aumentou a pena, teve sua prisão decretada e em abril de 2018 foi preso. Em novembro de 2019, Lula foi solto um dia após o STF decidir que a execução da pena só deveria ocorrer com o trânsito em julgado da sentença.

Histórico da candidatura

Em 2021, Lula recuperou os direitos políticos e tornou-se novamente elegível após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou as condenações aplicadas ao ex-presidente referentes a processo da Operação Lava-Jato.

Após as primeiras pesquisas de intenção de voto realizadas ainda em 2021 apontarem larga vantagem do ex-presidente Lula sobre o Presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição, a diferença entre os dois vem reduzindo desde o início deste ano.

Lula ainda segue liderando as pesquisas. Mas, por hora, parece improvável uma vitória do petista em primeiro turno. O cenário ainda é incerto, mas por enquanto a disputa permanece polarizada entre os dois primeiros colocados na corrida presidencial, Lula e Bolsonaro, sem muitas chances de uma candidatura alternativa se viabilizar.

Com a candidatura oficializada, Lula, agora, trabalha para atrair votos de centro para tentar, pela primeira vez vencer uma disputa presidencial no primeiro turno. Rememore-se nas duas vezes em que o petista venceu a eleição (2002 e 2006), a vitória veio no segundo. Em ambas as ocasiões, contra candidatos do PSDB, José Serra (2002) e Geraldo Alckmin (2006), candidato a vice-presidente em sua chapa.

Lula deverá explorar o fraco desempenho da economia durante o governo de Bolsonaro e alta rejeição ao Presidente.

Na última pesquisa divulgada pelo EXAME/IDEIA hoje (20/07), no cenário estimulado, Lula agrega 44% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro atinge o patamar de 32% da preferência dos eleitores entrevistados. De acordo com a mesma pesquisa, em um eventual segundo turno, Lula teria 47%, contra 37% de Bolsonaro.

Programa de Governo

Em 21 de junho, o PT divulgou as diretrizes do que poderá vir a ser o plano de governo de Lula. De acordo com informações divulgadas pelo site oficial do PT, o documento foi organizado a partir de subsídios e contribuições das legendas que compõem a frente “Vamos juntos pelo Brasil”, formada por PT, PSB, PCdoB, PV, PSOL, REDE e SOLIDARIEDADE. Ainda de acordo com informações do partido, concluído o documento de diretrizes programáticas, será iniciada a etapa de construção do Programa de Governo.

Desenvolvimento Social:

  • Criação do orçamento participativo;
  • Proposição de nova legislação trabalhista;
  • Incentivo ao debate e iniciativas de reestruturação sindical;
  • Criação de oportunidades de trabalho e de emprego a partir de investimentos em infraestrutura e em habitação; reindustrialização nacional em novas bases tecnológicas e ambientais; reforma agrária e estímulo à economia solidária, à economia criativa e à economia verde inclusiva, baseada na conservação, na restauração e no uso sustentável da biodiversidade. Ampliação ao apoio ao cooperativismo, ao empreendedorismo e às micro e pequenas empresas;
  • Retomada da política de valorização do salário-mínimo;
  • Reconstrução da seguridade e da previdência social;
  • Fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social (SUAS)
  • Renovação do Programa Bolsa Família;
  • Investimento em educação e fortalecimento da educação básica;
  • Fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), com a retomada de políticas como o Mais Médicos e o Farmácia Popular e reconstrução e fomento ao Complexo Econômico e Industrial da Saúde.
  • Implantação do Sistema Nacional de Cultura;
  • Apoio a cidades criativas e sustentáveis;
  • Desenvolvimento de programa de acesso à moradia;
  • Implantação de conjunto de políticas públicas de promoção da igualdade racial;

Desenvolvimento Econômico e Sustentabilidade Socioambiental e Climática

  • Adoção de estratégia nacional de desenvolvimento justo, solidário, sustentável, soberano e criativo;
  • Estímulo às atividades econômicas com menor impacto ecológico;
  • Revogação do teto de gastos e revisão do atual regime fiscal;
  • Construção de novo regime fiscal;
  • Reforma tributária, com proposta de redução da tributação do consumo, restauração do equilíbrio federativo, contemplando a transição para uma economia ecologicamente sustentável e aperfeiçoando a tributação sobre o comércio internacional
  • Estabelecimento de política nacional de abastecimento, que inclui a retomada dos estoques reguladores e a ampliação das políticas de financiamento e de apoio à produção de alimentos, aos pequenos agricultores e à agricultura orgânica;
  • Transição para uma nova política de preços dos combustíveis e do gás, que considere os custos nacionais e que seja adequada à ampliação dos investimentos em refino e distribuição;
  • Redução da volatilidade da moeda brasileira por meio da política cambial;
  • Promoção da renegociação das dívidas das famílias e das pequenas e médias empresas;
  • Fortalecimento e modernização da estrutura produtiva por meio da reindustrialização, do fortalecimento da produção agropecuária e do estímulo a setores e projetos inovadores;
  • Reversão do processo de desindustrialização e promoção da reindustrialização de amplos e novos setores e daqueles associados à transição para a economia digital e verde;
  • Promoção do engajamento da indústria na transição tecnológica, ambiental e social;
  • Promoção de novo modelo de ocupação e uso da terra urbana e rural, com reforma agrária e agroecológica;
  • Fortalecimento da produção agrícola, nas frentes da agricultura familiar, agricultura tradicional e do agronegócio sustentável;
  • Estímulo à atividade minerária por meio de maiores encadeamentos industriais internos e compromisso com a proteção ao meio ambiente, direitos dos trabalhadores e respeito às comunidades locais;
  • Modernização e ampliação da infraestrutura de logística de transporte, social e urbana, com programa de investimentos públicos;
  • Garantia à soberania e à segurança energética do país, com ampliação da oferta de energia;
  • Recomposição do papel indutor e coordenador do Estado e das empresas estatais;
  • Oposição à privatização, em curso, da Petrobras e da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) e da Eletrobras;
  • Fortalecimento dos bancos públicos;
  • Recomposição do sistema nacional de fomento do desenvolvimento científico e tecnológico, via fundos e agências públicas como o FNDCT, o CNPq e a CAPES;
  • Compromisso com as metas de redução de emissão de carbono;
  • Defesa da Amazônia e da biodiversidade nacional;

Reconstrução do Estado

  • Recuperação da política externa;
  • Defesa da integração da América do Sul, da América Latina e do Caribe;
  • Fortalecimento do Mercosul, Unasul, Celac e Brics;
  • Defesa da Reforma Política;
  • Fortalecimento de novo federalismo;
  • Prevenção e combate à corrupção e de promoção da transparência e da integridade pública;
  • Defesa da Reforma do Estado

Equipe de Campanha

Coordenador do programa de governo: Aloizio Mercadante

Coordenadora geral da campanha: Deputada Gleisi Hoffmann (Presidente nacional do PT)

Coordenador de campanha: Senador Randolfe Rodrigues (REDE/AP)

Coordenadores de Comunicação: Edinho Silva e Rui Falcão

Tesoureiro: Márcio Macêdo

Responsável pela agenda: Gilberto Carvalho

Redes Sociais:

Site oficial

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Artigo elaborado pela equipe da Umbelino Lôbo Assessoria e Consultoria em 20/07/2022.

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