Confirmada a chapa Simone Tebet-Mara Gabrilli para a Presidência da República

Em 02 de agosto, após longo período de intensas negociações, foi firmado acordo entre o MDB e a federação PSDB-Cidadania para indicação da Senadora Mara Gabrilli (PSDB) como vice na chapa encabeçada pela Senadora Simone Tebet (MDB) à Presidência da República. A indicação de Simone Tebet como candidata havia sido confirmada durante a convenção do MDB, em 27 de julho.

Os caminhos da candidatura de Simone Tebet

Após a desistência do ex-governador de São Paulo, João Dória (PSDB), de concorrer à Presidência da República, a Senadora Simone Tebet foi alçada como candidata única do grupo denominado de “Centro Democrático” com o intuito de ser uma “terceira via” à polarização eleitoral vista entre os primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto, o Presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula.

A indicação da senadora como candidata do MDB enfrentou resistências internas tanto em seu partido como no PSDB. Lideranças importantes do MDB, especialmente no Nordeste, insistiam que a legenda não deveria lançar nome próprio à Presidência, defendendo apoio ao ex-presidente Lula e concentração de esforços na eleição de nomes para a Câmara dos Deputados. Posição semelhante foi encampada pelo PSDB.

O prefeito de Cacimbinhas (AL), Hugo Wanderley, aliado do Senador Renan Calheiros (MDB/AL), chegou a acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com a finalidade de adiar a convecção do partido que ratificou a indicação de Simone Tebet. A alegação era que o modelo de convenção virtual violaria o sigilo do voto. Na véspera da convenção, o Presidente do TSE, Ministro Edson Fachin, negou o pedido.

A Senadora Simone teve o apoio do presidente do MDB, Deputado Baleia Rossi (SP), para tentar pacificar a legenda institucionalmente e garantir apoio da maioria dos diretórios estaduais no endosse ao seu nome. Contudo, mesmo com a vitória interna de Simone, ela não garante o apoio incondicional do partido, já que os diretórios estaduais estão liberados para construírem arranjos e acordos mais convenientes à realidade de cada Estado.

Apesar da aliança MDB e a federação PSDB-Cidadania, a Senadora não conta com garantias de palanques exclusivos nos Estados. Dos 15 Estados onde ao menos uma das siglas contam com candidatos ao governo local, apenas no Pará (PA) e em Alagoas (AL) há acordos firmados. Ainda assim, por conta de negociações locais, é possível que outros candidatos possam se utilizar dos espaços nos palanques estaduais. Um caso emblemático é São Paulo, onde o candidato do PSDB, Rodrigo Garcia, escolheu como vice um representante do União Brasil (Geninho Zuliani) e pode ceder espaço a eventual candidato à Presidência do UB.

 O desempenho da Senadora Simone Tebet nas pesquisas eleitorais ainda a coloca em posição distante dos líderes. A Senadora oscila em torno de 1% a 2% das intenções de voto.

A favor da senadora está o fato que ela é desconhecida de grande parte do eleitorado. A coordenação da campanha da Senadora avalia que o desempenho dela poderá melhor a partir de inserções televisivas e do início efetivo da campanha em agosto.

Perfil de Simone Tebet

Simone Nassar Tebet é natural de Três Lagoas (MS), tem 52 anos e atualmente exerce o primeiro mandato como senadora da República.

Em 2002, aos 31 anos, elegeu-se deputada estadual pelo MS e em 2004 foi a primeira mulher eleita prefeita de Três Lagoas. Em 2008 foi reeleita prefeita de Três Lagoas com 76% dos votos válidos. Entre 2011 e 2015 foi eleita vice-governadora do Estado na gestão de André Puccinelli.

Em 2014 foi eleita para o Senado Federal. No Senado Federal, liderou a primeira bancada feminina da história da Casa e tornou-se presidente da Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher. Foi também a primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e a primeira mulher a disputar a presidência do Senado.

A Senadora Simone Tebet teve atuação destacada na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apurou irregularidades na gestão dos governos estaduais e federal na condução das ações de enfrentamento à pandemia de Covid-19. Foi justamente a participação nos trabalhos da CPI que garantiu maior projeção nacional à Senadora.

Indicação de Mara Gabrilli

Após consolidada a aliança MDB e a federação PSDB-Cidadania e a confirmação da indicação de Simone Tebet como candidata do MDB à Presidência, restava a expectativa de quem seria o representante do PSDB na chapa. Diversos nomes foram aventados. O Senador Tasso Jereissati (PSDB/CE) era o nome mais cotado para a posição de vice até as vésperas da convenção do MDB. Todavia, tendo em vista as dificuldades na construção de acordos regionais e as resistências internas nas legendas para se unificarem no apoio à Senadora Simone Tebet, Tasso declinou do convite para compor a chapa e anunciou sua desistência de concorrer às eleições de 2022.

 Com a desistência de Tasso, a federação PSDB-Cidadania passou debater internamente sobre a indicação da posição de vice. A Senadora Eliziane Gama (Cidadania/MA) também foi cotada para a vaga. Mas o PSDB não abriu mão de indicar um nome da legenda, já que pela primeira vez desde a criação do partido não terão candidato próprio na disputa pelo Palácio do Planalto.

Assim, após sondagem feita pelo presidente do PSDB, Bruno Araújo, a sigla optou por indicar a Senadora Mara Gabrilli.

Perfil de Mara Gabrilli

Senadora de primeiro mandato, Mara Gabrilli é natural de São Paulo, tem 54 anos e tem formação como psicóloga e publicitária.

Em 1994, Mara sofreu um acidente automobilístico que a deixou tetraplégica. Em 1997 fundou o Instituto Mara Gabrilli, que desenvolve programas de defesa de direitos das pessoas com deficiência. Em junho de 2018, Mara Gabrilli foi eleita para um mandato de quatro anos (2019 – 2022) para o Comitê das Organizações das Nações Unidas (ONU) sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Ela foi a primeira representante brasileira a compor o grupo.

A carreira política de Mara Gabrilli se iniciou em 2004, quando disputou as eleições municipais para o cargo de vereadora. Não se elegeu, mas ficou na lista de suplentes. Em 2005, na gestão de José Serra (PSDB) na Prefeitura de São Paulo, Mara propôs a criação de uma secretaria municipal para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. O então prefeito acatou a sugestão, criou a pasta e Mara foi nomeada Secretária.

Mara Gabrilli assumiu seu primeiro mandato na Câmara de Vereadores de São Paulo em 2006. Em 2008 foi reeleita e cumpriu mandato como vereadora até 2011, quando tomou posse como deputada federal, após disputar o cargo no pleito de 2010.

Em 2014 foi reeleita para a Câmara dos Deputados. No Congresso Nacional, um de seus trabalhos de maior destaque foi a relatoria da Lei Brasileira de Inclusão (LBI), que modernizou a legislatura brasileira e ampliou direitos para as pessoas com deficiência.

Em 2018, Mara foi eleita para o Senado Federal com mais de 6 milhões de votos.

Simone Tebet – Plano de Governo e coordenação de campanha

Após a confirmação da candidatura de Simone Tebet à Presidência da República, a Senadora deve iniciar a construção de seu plano de governo.

Há indicações de que ela contará com o apoio de especialistas em economia, agricultura, ciência, tecnologia e inovação, desenvolvimento social, educação, energia e saneamento, indústria, mercado de capitais, infraestrutura, saúde, relações internacionais, trabalho e produtividade e digitalização do Estado.

Não obstante a expectativa de que o plano consolidado com as diretrizes de governo deva ser divulgado apenas com o registro oficial da candidatura no TSE, principais linhas a serem defendidas pela Senadora deverão ser:

Social: Combate à pobreza em 2 eixos: 1) Foco na 1ª infância e 2) Programas sociais ampliados.

Economia: reorganização do orçamento; transição para a economia verde; reindustrialização; desenvolvimento tecnológico; melhoria no ambiente de negócios; reforma tributária.

Equipe de campanha:

Coordenador-geral: Baleia Rossi, presidente do MDB;

Coordenador do programa: Germano Rigotto, ex-governador do Rio Grande do Sul (RS)

Coordenadora econômica: Elena Landau, ex-diretora do BNDES;

Responsável por temas macroeconômicos: Edmar Bacha, ex-presidente do BNDES;

Coordenador de comunicação: Felipe Soutello;

Coordenador de educação: José Fogaça, ex-deputado (RS)

Coordenador para agricultura: José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário de política econômica do governo de Fernando Henrique Cardoso;

Coordenador da área de relações internacionais: embaixador José Alfredo Graça Lima

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Artigo elaborado pela equipe da Umbelino Lôbo Assessoria e Consultoria em 04/08/2022.

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