Lançamento da candidatura Lula-Alckmin

No último dia 07/05, o ex-presidente Lula (PT) e o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSB), lançaram oficialmente a pré-candidatura da chapa para disputa à Presidência da República. O evento ocorreu em São Paulo. Diagnosticado com Covid-19, Alckmin participou do evento apenas por vídeo.

A indicação de Geraldo Alckmin para compor a chapa presidencial com Lula foi formalizada no início de abril, após evento de filiação do ex-governador paulista ao partido em março.

Agora, ambos devem iniciar viagens pelo País em busca de apoios para a consolidação da chapa, que lidera as pesquisas de intenção de voto, além de selar alianças regionais que garantam palanques estaduais ao ex-presidente.

O Evento

Discurso de Lula

O lançamento da pré-candidatura de Lula ocorreu em meio a sucessivas crises desencadeadas por falas consideradas controversas, que desagradaram aliados. Lula, então, foi obrigado a recuar em alguns posicionamentos e se retratar após repercussões negativas em redes sociais e críticas de opositores.

Entre os ruídos destacam-se a fala sobre aborto e parte da entrevista concedida à revista americana, Time, ao mencionar a guerra entre Ucrânia e Rússia.

Outro foco de desgaste foi o conteúdo das primeiras inserções da propaganda partidária do PT em rede nacional. Avaliações negativas sobre o trabalho do então coordenador de comunicação da pré-campanha, Franklin Martins, e disputas internas envolvendo a contratação da empresa responsável pelo marketing da campanha, levaram à substituição de Martins pelo Deputado Federal Rui Falcão (SP) e pelo Prefeito da cidade de Araraquara, Edinho Silva, na coordenação da área.

Na avaliação de aliados, no evento de lançamento da pré-candidatura, Lula teria de modular o tom de seu discurso e evitar improvisos. Diferente do que costuma fazer, o ex-presidente leu seu discurso, no qual pregou a defesa da democracia, o resgate da soberania nacional, defendeu a Petrobras e a Eletrobras, e reprisou falas em prol da criação de empregos e do combate à fome, dois dos principais motes de seus governos (2003-2010).

Durante seu discurso, sem citar nominalmente o Presidente Bolsonaro (PL), Lula afirmou que o governo “destrói políticas públicas que mudaram a vida de milhões de brasileiros, e que eram admiradas e adotadas pelo mundo afora”, citando o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida. Ambos os programas foram alterados pelo Governo de Jair Bolsonaro.

Ao mencionar temas econômicos, Lula ainda destacou a perda do poder de compra do salário-mínimo em virtude do patamar elevado da inflação e a elevação do preço dos combustíveis. Ele também defendeu a criação de ambiente econômico favorável ao empreendedorismo, a importância de reverter o processo de desindustrialização e o fortalecimento de alianças econômicas com os BRICS e o Mercosul.

Ao final de seu discurso, Lula salientou que o momento é de união dos “democratas de todas as origens e matizes, das mais variadas trajetórias políticas, de todas as classes sociais e de todos os credos religiosos” e mencionou a aliança firmada entre PT, PC do B, PV, PSB, PSOL, Rede e Solidariedade.

A íntegra do discurso de Lula pode ser acessada por meio do link: https://bit.ly/3McPAcm.

Discurso de Alckmin

Já o discurso de Geraldo Alckmin foi marcado por promessas de lealdade a Lula, destacando que as disputas e divergências entre os dois no passado não seriam pretexto para deixar de apoiar e defender a volta do ex-presidente ao Planalto. Alckmin assinalou que a “democracia é marcada, sim, por disputas. Disputas fazem parte do processo democrático. Mas, acima das disputas, algo mais urgente e relevante se impõe: a defesa da própria democracia”.

Assim como Lula, Alckmin declarou que as próximas eleições serão “um grande teste para a nossa democracia” e teceu críticas ao que denominou de “agressões e ameaças” contra as instituições nacionais.

Ele também pontuou o compromisso com o “propósito de fazer do Brasil um país socialmente mais justo, economicamente mais forte, ambientalmente mais responsável e internacionalmente mais respeitado”.

A íntegra do discurso de Alckmin pode ser acessada por meio do link: https://bit.ly/3yyzhCt.

“Pontos que remetem a possível programa de governo”

Até o momento, o tom dos discursos do ex-presidente tem sido mais político. A ausência de clareza sobre o que de fato será defendido na campanha petista pode ser explicada pela necessidade de Lula ainda estar em negociações de apoiamento com outras legendas. A expectativa é que o programa de governo de Lula seja construído com a colaboração de aliados do PT e de fora do partido. A diretriz estrutural do plano de governo vem sendo desenhada pelos Núcleos de Acompanhamento de Políticas Públicas da Fundação Perseu Abramo (FPA), ligada ao PT. A base deverá ser o Plano de Reconstrução e Transformação do Brasil. Centralmente, o documento propõe que eventual terceiro mandato, o governo volte a assumir papel central na economia e amplie gastos públicos para mover a economia.

Mas alguns pontos já foram mencionados por Lula em discursos durante eventos, com destaque para revisão do conteúdo da reforma trabalhista e das regras do teto de gastos, aprovadas durante o governo do ex-presidente Michel Temer. Outro tema de relevância é a revisão da proposta da atual política de privatizações do governo Bolsonaro, como da Eletrobras, e da política de precificação de combustíveis adotada pela Petrobras (PPI – Preço de Paridade de Importação).

Próximos passos da campanha

Após o lançamento oficial da pré-candidatura, Lula e Alckmin devem iniciar rodadas de viagens pelo Brasil. O primeiro Estado visitado foi Minas Gerais, 2º maior colégio eleitoral do País. O roteiro, cumprido entre 09 e 11 de maio, incluiu passagens por Belo Horizonte, Contagem e Juiz de Fora.

Minas Gerais representa um dos maiores imbróglios para o PT na montagem da chapa majoritária. Lula tem buscado construir aliança com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), que se desencompatibilizou do cargo para disputar o governo estadual. O desafio de Lula e do PT é garantir espaço para emplacar vaga para o Senado na chapa a ser encabeçada por Kalil. A intenção do PT é lançar o nome do Deputado Federal Reginaldo (PT). Todavia, o PSD resiste e pretende lançar o nome do Senador Alexandre Silveira, presidente da legenda no Estado. Silveira era suplente do senador Antonio Anastasia e assumiu o cargo em fevereiro deste ano, quando Anastasia renunciou para assumir vaga no Tribunal de Contas da União (TCU).

No que diz respeito à agenda de viagens, a ideia é que Lula e Alckmin estejam juntos, circulando pelo País, ao menos nos dois primeiros meses da pré-campanha. A intenção ao cumprir agendas conjuntas é reforçar a unidade da chapa e reforçar o discurso que, a despeito das antigas divergências, decidiram se aliar na tentativa de derrotar a chapa encabeçada pelo Presidente Bolsonaro. Lula e Bolsonaro figuram como líderes da disputa presidencial de acordo com as pesquisas de intenção de votos.

A previsão é que entre o final de maio e o início de junho Lula e Alckmin visitem estados das regiões Sul (Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e Norte, onde o nome de Lula sofre maiores resistências. A imagem de Alckmin também deverá ser explorada para dialogar com setores mais refratários ao PT, como agronegócio, empresariado, segurança pública e instituições religiosas.

Cenário da candidatura de Lula

Após as primeiras pesquisas de intenção de voto realizadas ainda em 2021 apontarem larga vantagem do ex-presidente Lula sobre o Presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição, a diferença entre os dois vem reduzindo desde o início deste ano.

Lula ainda segue liderando as pesquisas. Mas, por hora, parece improvável uma vitória do petista em primeiro turno. O cenário ainda é incerto, mas por enquanto a disputa permanece polarizada entre os dois primeiros colocados na corrida presidencial, Lula e Bolsonaro, sem muitas chances de uma candidatura alternativa se viabilizar.

Com a pré-candidatura oficializada, Lula, agora, tenta atrair votos de centro para tentar, pela primeira vencer uma disputa presidencial no primeiro turno. Rememore-se nas duas vezes em que o petista venceu a eleição (2002 e 2006), a vitória veio no segundo. Em ambas as ocasiões, contra candidatos do PSDB, José Serra (2002) e Geraldo Alckmin (2006), candidato a vice-presidente em sua chapa.

Lula deverá explorar o fraco desempenho da economia durante o governo de Bolsonaro e alta rejeição ao Presidente. É possível imaginar uma modulação no discurso de Lula, deixando de lado as falas de improviso que o ex-presidente vinha dando nas últimas semanas como nas declarações sobre o aborto, a guerra na Ucrânia e os policiais.

Na última pesquisa divulgada pelo Ipespe hoje (13/04), no cenário estimulado, Lula agrega 44% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro atinge o patamar de 32% da preferência dos eleitores entrevistados. De acordo com a mesma pesquisa, em um eventual segundo turno, Lula teria 54%, contra 35% de Bolsonaro.

Artigo elaborado pela equipe da Umbelino Lôbo Assessoria e Consultoria em 13/05/2022.

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