Conscientização do eleitor

A melhor resposta à corrupção na política é o voto

Por: Antonio Marcos Umbelino Lôbo

(Artigo publicado em 2006, na extinta Gazeta mercantil)

A crise de padrões éticos pela qual o país acabou de passar aumentou enormemente o descrédito da opinião pública em relação à classe política. Não é objetivo deste artigo fazer juízo de valor indiscriminado a respeito dos integrantes da classe política como um todo, porque sabemos que existem sempre as honrosas exceções. Trata-se, na verdade, de examinar o que considero duas graves consequências desse ambiente de degradação política para a jovem democracia brasileira.

A primeira consequência danosa para o processo democrático é a inibição do surgimento de vocações políticas nos jovens e a frustração do idealismo. Quanto mais desacreditada estiver a classe política, menor será o número de pessoas sérias interessadas em iniciar uma carreira pública e, evidentemente, maior espaço se abrirá para quem quer fazer dela “um bom negócio”. Em vez de melhorar a qualidade e o padrão ético do processo político-institucional, o que se está fazendo é intensificar a tendência oposta, o que é profundamente deplorável.

Outra consequência fatal é a desmoralização do regime democrático. Goethe já dizia: “A democracia não corre, mas chega segura ao objetivo”. E Rui Barbosa completava: “A pior democracia é preferível à melhor das ditaduras”. Em um regime democrático desmoralizado, a possibilidade do aparecimento de soluções mágicas e lideranças oportunistas potencializa-se de forma acentuada.

Diversas outras mazelas poderiam ser analisadas, mas entendo que as duas mencionadas são suficientes para justificar um despertamento em nós da consciência do voto cada vez mais sério e responsável.

O objetivo é que nós, cidadãos brasileiros, nos transformemos de meros espectadores em atores do espetáculo chamado Brasil. E o papel de cada um, nesse caso, é o de eleitor no dia da eleição, mas sem se esquecer de exigir que as promessas sejam cumpridas ao longo do mandato dos eleitos. Este ano é o do ensaio; 2007, o da estreia. Vamos à produção, que o tempo é curto.

É notória a amnésia do eleitor brasileiro em relação aos eleitos nas disputas em qualquer nível, mas sobretudo quando se trata do legislativo: Câmara dos Deputados, Senado, assembleias legislativas e câmaras municipais. Requer-se a mobilização da chamada sociedade civil para uma conscientização maior acerca do voto. E não é necessário, para tanto, uma campanha publicitária em âmbito nacional com produções e veiculações dispendiosas. Basta boa vontade e criatividade para difundir a ideia de que é preciso votar em quem possua competência, já tendo mostrado trabalho em prol da sociedade.

O que mais sensibiliza a classe política, como se sabe de sobejo, é a pressão da opinião pública. Por que não fazer ampla divulgação do resultado das eleições, mostrando os deputados federais e estaduais, bem como seus suplentes (às vezes mais competentes que os titulares), seus programas (para as cobranças posteriores), endereços, telefones, e-mails? A ECT, por exemplo, poderia oferecer um serviço de utilidade pública, disponibilizando em suas agências formulários pré-endereçados aos parlamentares votados naquele município, de maneira a oferecer ao cidadão mais uma forma de comunicar-se com o parlamentar no qual votou. Seria uma espécie de aerograma do eleitor, gratuito.

Tenho certeza de que, se iniciarmos essa mobilização, usando todos os meios ao nosso dispor, começaremos a trilhar o caminho da real consolidação da democracia brasileira, com a elevação do padrão ético e moral da classe política e a consequente melhoria da qualidade de vida da população. O caminho é longo, mas o sacrifício certamente valerá a pena. Chega de ser simplesmente espectadores – passemos a atuar como os verdadeiros atores da Nação que somos.

Antonio Marcos Umbelino Lôbo é Diretor Superintendente da Umbelino Lôbo.

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