Cenário Geral – Resultado 1º Turno

Hoje, em 02 de outubro, pela oitava vez desde a redemocratização, mais de 156 milhões de eleitores foram às urnas para escolher o Presidente, 27 de governadores, 27 senadores, 513 deputados federais, 1.035 deputados estaduais e 24 deputados distritais.

Confirmando as expectativas, a disputa presidencial será definida em segundo turno. Mantendo o cenário de polarização observado e confirmado pelas pesquisas, o Presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente (PT) disputarão, em 30 de outubro, a preferência dos eleitores. O resultado final da apuração mostrou Lula com 48,3% dos votos válidos (56.978.000 milhões de votos) e Bolsonaro com 43,3% dos votos válidos (51 milhões de votos). Importa assinalar que os dois candidatos concentraram mais de 90% dos votos válidos. Com o cenário eleitoral estável desde o início da campanha, o resultado de hoje expõe a disputa mais cristalizada do País desde o final desde 1989.

No balanço de desempenho dos dois candidatos nos estados, ao final da disputa, o resultado é mais favorável a Lula. O ex-presidente venceu em 14 estados. Bolsonaro foi o mais votado em 12 estados e no DF.

As últimas pesquisas de intenção de votos antes do primeiro turno das eleições foram divulgadas na véspera da votação, em 01/10. O Instituto Datafolha mostrava Lula com 50% dos votos válidos ante 36% de Bolsonaro. Já o IPEC projetava 51% dos votos válidos para o ex-presidente e 37% para o Presidente.

Com a cristalização de votos nos líderes da disputa, houve pouco espaço para crescimento de outras candidaturas. Havia grande expectativa sobre a possibilidade da prática de voto útil. Chama atenção o desempenho de Ciro Gomes (PDT). O ex-governador do Ceará, que concorreu à Presidência pela quarta vez, encerrou a disputa com pouco mais de 3% dos votos válidos (3.592.000 milhões de votos), bem abaixo das projeções apontadas pelas pesquisas. Ciro ficou bem distante de seu desempenho em 2018, quando alcançou 12,67% dos votos válidos. O pedetista ao longo da campanha subiu o tom das críticas ao PT e ao ex-presidente Lula. Ao se colocar de forma tão incisiva contra Lula, seu antigo aliado político, é possível imaginar que parte dos votos de Ciro tenha migrado para Bolsonaro. Simone Tebet alcançou 4,2% dos votos válidos (4.910.000 milhões de votos).

O nível de abstenção das eleições presidências presidenciais deste ano foi similar ao registrado em 2018. Mais de 32 milhões de eleitores se abstiveram de votar (21%). Já o índice de votos brancos apresentou redução significativa em relação a 2018. Em 2018, mais de 3 milhões de eleitores (2,66%) votaram em branco. Neste primeiro turno, 1,6% dos eleitores votaram em branco. O percentual de votos nulos também sofreu forte redução. Neste ano, foram algo em torno de 3,5 milhões milhões de votos (2,8%) e, em 2018, 6,14%.

O primeiro lugar de Lula nesta primeira etapa de votações, ainda que números próximos aos 50% dos votos, não garantem posição confortável para o petista. O desempenho do Presidente Bolsonaro superou as estimativas contidas nas pesquisas de intenção de votos, as quais projetavam uma diferença de cerca de 10 pontos percentuais. Para o segundo turno, alguns fatores parecem ser centrais na disputa.

Primeiramente, os índices de rejeição. A pesquisa Datafolha divulgada na véspera da votação mostrava o Presidente Bolsonaro com a rejeição ultrapassando 50%, enquanto Lula registrava 40%. Oportuno mencionar que as campanhas dos dois candidatos se esforçaram para desconstruir a imagem do adversário e elevar a rejeição do oponente. Até o dia da votação, em 30 de outubro, as campanhas de ambos devem ampliar as críticas e há a tendência de aproximação nos números de rejeição.

Há, ainda, a expectativa para os posicionamentos de declarações de apoio dos candidatos derrotados. Há que se considerar a capacidade de flexibilização dos discursos, em acenos aos eleitores posicionados mais ao centro do espectro político e a conformação dos apoios dos partidos e lideranças. Ciro Gomes e Simone Tebet, juntos, possuem um ativo de mais de 8 milhões de votos, que serão disputados de forma acirrada.

A partir de agora, as coordenações de campanha de Lula e Bolsonaro trabalharão com estratégias de comunicação para o segundo turno. O candidato petista deverá reforçar os argumentos para elevar a rejeição do Presidente. Já Bolsonaro poderá utilizar os próximos dias de campanha para explorar dados econômicos positivos.

No caso dos apoios, espera-se que as legendas tenham dificuldades de adotar posições definitivas de apoio aos presidenciáveis, sendo que o mais provável é que ocorram apoios e posicionamentos estratégicos das lideranças regionais. Não obstante o favoritismo de Lula, a disputa tende a ser acirrada e intensificar a polarização da sociedade brasileira.

Senado Federal

Nas eleições gerais de 2022, um terço das cadeiras do Senado Federal estavam em disputa. Dos 27 senadores eleitos, 12 são de partidos alinhados ao Presidente Bolsonaro, que durante a campanha enfatizou a importância de eleger senadores. Destaca-se o número de vitórias do PL, partido do Presidente Bolsonaro. A legenda conquistou 8 vagas e deve se consolidar com a maior bancada da Casa, com 13 cadeiras. O PT elegeu apenas 4 senadores.

Quatro ex-ministros do Presidente Bolsonaro conseguiram se eleger, a saber: Damares Alves (Republicanos/DF), Astronauta Marcos Pontes (PL/SP), Tereza Cristina (PP/MS) e Sérgio Moro (União Brasil/PR). Destaca-se também a eleição do vice-presidente, Hamilton Mourão (Republicanos), no Rio Grande do Sul (RS).

Dos 14 senadores que tentaram se reeleger em 2022, apenas 5 conquistaram um novo mandato: Romário (PL/RJ); Wellington Fagundes (PL/MT); Otto Alencar (PSD/BA); Davi Alcolumbre (União Brasil/AP) e Omar Aziz (PSD-AM). Nomes tradicionais não seguirão no Senado a partir de 2023. Entre eles o Senador Álvaro Dias (Podemos/PR) e a Senadora Katia Abreu (PP/TO).

Elaborado pela equipe da Umbelino Lôbo em 02/10/2022.

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